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Nessa época, muitos libaneses, sírios e outros povos árabes decidiram – espontaneamente e sem nenhum estímulo além do medo e dos sonhos de uma vida melhor –, deixar a terra natal, buscando nova morada no Continente Americano. A principal fonte de descontentamento era o domínio turco-otomano. O maior atrativo do Brasil, a indicação de outros imigrantes aqui estabelecidos.
Por serem imigrantes espontâneos, os libaneses, sírios
e outros árabes não tinham nenhuma segurança.
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Não raro, eram enganados antes mesmo do embarque. Pouquíssimos
sabiam onde, exatamente, era o Brasil, ou qual a diferença
entre América do Norte e América do Sul. Os vendedores
de passagens anunciavam "navios para a América" e
conquistavam os clientes. Depois, embarcavam os imigrantes desordenadamente
em navios para Rio, São Paulo, Nova York ou Buenos Aires. A
confusão também contribuiu para que hoje o Brasil tenha
a maior comunidade de libaneses e descendentes fora do Líbano:
6 milhões de pessoas. |
Uma das vítimas
da desinformação foi Zakie Damaha Tuma, avó do empresário
Rezkalla Tuma e do senador Romeu Tuma. No ano de 1908, o marido de Zakie,
Miguel, era um dos líderes cristãos da resistência contra
a dominação otomana na cidade de Homs, e estava jurado de
morte. Numa noite, Zakie estava sozinha em casa com os cinco filhos pequenos,
quando vários homens chegaram para levá-los. Com medo de morrer,
ela pegou os filhos, alguns poucos pertences, e partiu. A família
atravessou as montanhas e, em Beirute, embarcou num navio. A única
informação que Zakie dispunha era a de que deveria descer
na terceira parada da América.
O problema é que a palavra América não
tinha o mesmo significado para ela e para os tripulantes do navio. A cada
porto, Zakie perguntava: "Aqui é a América?",
e ouvia como resposta: "Não". Ao chegar ao porto de Rio
Grande, a resposta foi mais desanimadora: "Não, mas a senhora
tem de descer, aqui é o fim da linha". O destino da família
Tuma era o porto de Buenos Aires, mas não conseguiram chegar até
lá. O Brasil ganhava seis novos imigrantes involuntários.
Sem falar uma palavra de português e sem saber onde estava, Zakie
levou os filhos para um albergue. Três dias depois, chegou a ajuda
de um funcionário da alfândega, que tentou descobrir um jeito
de ajudar "os turcos". Ele se lembrou de um imigrante, também
"turco" que morava na cidade, e colocou-o em contato com Zakie.
O imigrante era um conhecido de Zakie, em Homs. Maktub, como dizem os
árabes, ou: assim estava escrito.
De mercado oriental a resumo do Brasil
A imigração libanesa, é marcada por muitas histórias
de encontros, desencontros, sofrimentos e alegrias como as de Nassib,
Zakie e suas famílias. Como eles, gerações e gerações
posteriores de libaneses vieram ao Brasil em busca de uma terra pródiga,
um lugar para fazer o dinheiro que permitiria que voltassem ao Líbano
com condições de sustentar uma vida mais confortável
e segura. Mas poucos deles voltaram.
A Rua 25 de Março foi assim chamada por
volta de 1865. Porém ela já existia bem antes dessa
data, mas era conhecida por outros nomes. Seu nome é uma
homenagem à primeira Constituição brasileira,
promulgada pelo imperador D. Pedro I em 25 de março de 1824.

1925..arquivo UNIVINCO
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Os registros históricos indicam que a primeira loja a ser
aberta ali foi a Nami Jafet & Irmãos, em 1893. Nasciam,
assim, duas tradições: a de imigrantes libaneses se
estabelecerem na 25 de Março e a de fornecerem mercadorias
para seus patrícios recém-chegados a São Paulo
mascatearem em bairros mais distantes. |
O comércio na 25 prosperou rápido. No fim de 1893, contam os livros, já existiam seis lojas no local: cinco armarinhos e uma mercearia. Oito anos depois, em 1901, já eram mais de 500 pequenas lojas.
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