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São Paulo, 05 de janeiro de 2009 - 
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Nessa época, muitos libaneses, sírios e outros povos árabes decidiram – espontaneamente e sem nenhum estímulo além do medo e dos sonhos de uma vida melhor –, deixar a terra natal, buscando nova morada no Continente Americano. A principal fonte de descontentamento era o domínio turco-otomano. O maior atrativo do Brasil, a indicação de outros imigrantes aqui estabelecidos.

Por serem imigrantes espontâneos, os libaneses, sírios e outros árabes não tinham nenhuma segurança.


Não raro, eram enganados antes mesmo do embarque. Pouquíssimos sabiam onde, exatamente, era o Brasil, ou qual a diferença entre América do Norte e América do Sul. Os vendedores de passagens anunciavam "navios para a América" e conquistavam os clientes. Depois, embarcavam os imigrantes desordenadamente em navios para Rio, São Paulo, Nova York ou Buenos Aires. A confusão também contribuiu para que hoje o Brasil tenha a maior comunidade de libaneses e descendentes fora do Líbano: 6 milhões de pessoas.

Uma das vítimas da desinformação foi Zakie Damaha Tuma, avó do empresário Rezkalla Tuma e do senador Romeu Tuma. No ano de 1908, o marido de Zakie, Miguel, era um dos líderes cristãos da resistência contra a dominação otomana na cidade de Homs, e estava jurado de morte. Numa noite, Zakie estava sozinha em casa com os cinco filhos pequenos, quando vários homens chegaram para levá-los. Com medo de morrer, ela pegou os filhos, alguns poucos pertences, e partiu. A família atravessou as montanhas e, em Beirute, embarcou num navio. A única informação que Zakie dispunha era a de que deveria descer na terceira parada da América.

O problema é que a palavra América não tinha o mesmo significado para ela e para os tripulantes do navio. A cada porto, Zakie perguntava: "Aqui é a América?", e ouvia como resposta: "Não". Ao chegar ao porto de Rio Grande, a resposta foi mais desanimadora: "Não, mas a senhora tem de descer, aqui é o fim da linha". O destino da família Tuma era o porto de Buenos Aires, mas não conseguiram chegar até lá. O Brasil ganhava seis novos imigrantes involuntários.
Sem falar uma palavra de português e sem saber onde estava, Zakie levou os filhos para um albergue. Três dias depois, chegou a ajuda de um funcionário da alfândega, que tentou descobrir um jeito de ajudar "os turcos". Ele se lembrou de um imigrante, também "turco" que morava na cidade, e colocou-o em contato com Zakie. O imigrante era um conhecido de Zakie, em Homs. Maktub, como dizem os árabes, ou: assim estava escrito.

De mercado oriental a resumo do Brasil

A imigração libanesa, é marcada por muitas histórias de encontros, desencontros, sofrimentos e alegrias como as de Nassib, Zakie e suas famílias. Como eles, gerações e gerações posteriores de libaneses vieram ao Brasil em busca de uma terra pródiga, um lugar para fazer o dinheiro que permitiria que voltassem ao Líbano com condições de sustentar uma vida mais confortável e segura. Mas poucos deles voltaram.

A Rua 25 de Março foi assim chamada por volta de 1865. Porém ela já existia bem antes dessa data, mas era conhecida por outros nomes. Seu nome é uma homenagem à primeira Constituição brasileira, promulgada pelo imperador D. Pedro I em 25 de março de 1824.


1925..arquivo UNIVINCO

Os registros históricos indicam que a primeira loja a ser aberta ali foi a Nami Jafet & Irmãos, em 1893. Nasciam, assim, duas tradições: a de imigrantes libaneses se estabelecerem na 25 de Março e a de fornecerem mercadorias para seus patrícios recém-chegados a São Paulo mascatearem em bairros mais distantes.

O comércio na 25 prosperou rápido. No fim de 1893, contam os livros, já existiam seis lojas no local: cinco armarinhos e uma mercearia. Oito anos depois, em 1901, já eram mais de 500 pequenas lojas.

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